Observação honesta
Muitas vezes somos prisioneiros de emoções fortes, que nem sempre conseguimos dominar, e que nos arrastam a direções que, na maioria das vezes, não são as mais desejáveis. A raiva, quando vem, faz-nos agressivos. O ciúme, instalado na consciência, leva-nos a atuar de maneira abominável. O medo trava as nossas ações ou, ao contrário, faz-nos compulsivos ou supersticiosos. Muitas vezes deixamo-nos escravizar por nossos sentimentos que acabam por tornar-nos dependêntes de suas pulsões.
Todas essas emoções precisam ser observadas, com muita paciência e isenção. Não adianta lutar contra elas, pois assim procedendo, criamos repressão e conflito. E aquilo que fica reprimido, um dia irá se soltar. A observação honesta de nós mesmos, sem julgamento, sem condenação, sem a iserção da idéia de como deveríamos ser, é uma ferramenta muito importante no processo de libertação da consciência. Isso porque quando não percebemos o ciúme, o medo, a raiva e tantos outros comportamentos que temos em razão de condicionamentos emocionais, somos totalmente reféns dessas características. Quanto mais inconscientes estamos delas, maior o poder que elas têm sobre nós. Na medida que elas são percebidas e observadas, o poder delas dominarem as nossas ações tende a diminuir, sendo que em alguns casos vem a ser nulo.
Novidades, breve.
Este blog se auto destruirá em 26 dias, e o novo, se auto construirá em 26 dias…
Natal feliz a todos, e um Ano Novo repleto de sinceridade, respeito, dignidade, saúde e sucesso!
O tempo e as jabuticabas
Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados. Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos. Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos para reverter a miséria do mundo. Não quero que me convidem para eventos de um fim-de-semana com a proposta de abalar o milênio.
Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir estatutos, normas, procedimentos e regimentos internos. Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que, apesar da idade cronológica, são imaturos.
Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões de ‘confrontação’ onde ‘tiramos fatos a limpo’. Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário-geral do coral.
Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: ‘As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos‘. Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa!…
Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja tão-somente andar ao lado do que é justo.
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse amor absolutamente sem fraudes, nunca será perda de tempo.
O essencial faz a vida valer a pena.
Texto: Rubem Alves
A vida ensina…
Nunca fui dado a tempestades em copo d água, assim como nunca gostei de grandes confusões, de farpas lançadas sem pudor e de palavras ditas sem pensar. Tão pouco gosto de julgamentos sem sentido e de ofensas baratas. Hoje eu não sei até que ponto isso me faz bem e faz bem ao meu próximo, mas uma coisa eu tenho certeza que trago comigo e gosto: justiça. Não que eu sempre tenha razão e nem tenho a pretensão – sim, também odeio os “donos da razão”. Afinal, não existem razões absolutas, existe aquele que sabe falar melhor, ou o que tem mais meios de se fazer ouvir. Calei-me várias vezes, talvez até a maioria das vezes e me prejudiquei, mas ganhei. Sim, ganhei. Ganhei porque nunca me arrependi por um julgamento precipitado e tão pouco apontei o dedo na cara de alguém. Já me julgaram, já me condenaram, já me expulsaram sem eu não saber por quê. Paciência. Já passei da fase de querer revidar, de querer argumentar, prefiro o clichê: “A vida ensina…”.
Ele e Ela
Ela o ama. Ele diz que ela o tem nas mãos. Ela até gosta de ouvir uns elogios por aqui e ali, mas não suporta a responsabilidade de ser o mundo do outro. Ela o ama muito, mas não projeta todas as expectativas nele, é arriscado e a vida já tem mostrado isso. Ele é doce e calmo. Ela séria e dura. São completos opostos, não se distraem, se gostam, de fato e direito. Ele tem sonhos e planos melados em romantismo. Ela acha lindo, embora o romantismo dela seja bem mais comedido. Ela acha graça do jeito dele, de estar com ele. Ele se identifica com o sorriso dela. Na hora dos ciúmes, ele dita as regras. Ela não aceita, nunca foi de acatar ordens de homem algum. Ele seguia tentando entende-la. Ela já sabia que era um jogo perdido. Apenas ela se percebe.
Texto: MBotto
Adaptação: HL